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ETAR Quinta da Bomba PDF Imprimir E-mail
Escrito por Grupo Flamingo   
Segunda, 05 Março 2007

 

Etar da Quinta da Bomba, em Miratejo

" Como é sabido, foi particularmente a partir dos anos 60/70, que toda a região da Margem sul iniciou um acelerado crescimento demográfico e industria, tendo como consequências a drenagem de grandes quantidades de cargas poluentes nestas zonas estuarinas do Tejo. No caso concreto do esteiro de Corroios e da baía do Seixal, todo um conjunto de esgotos provenientes de uma vasta bacia inserida nos concelhos de Almada e Seixal aqui vinha afluir, causando graves ameaças para a conservação da vida aquática local, assim como colocando sob risco a própria saúde pública. Com cerca de duas dezenas de emissários de esgoto a drenarem para uma baía fluvial relativamente baixa e fechada, onde as correntes dificilmente conseguem fazer circular e renovar as águas, pouco a pouco os esteiros de Corroios e do Judeu foram dando mostras de perigo de eutrofização, desaparecendo deste ecossistema inúmeras espécies relativas à ictiofauna, malacofauna e avifauna. Para acudir a tal situação de desequilíbrio ambiental, as câmaras municipais de Almada e do Seixal uniram esforços para levar por diante a construção de uma grande Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), localizada na Quinta da Bomba (uma das setes quintas reais do Alfeite), não muito longe da Olaria Romana da Quinta do Rouxinol e do Moinho de Maré de Corroios. Após terem sido feitos estudos diversos, onde se inclui o impacto ambiental, dá-se início à construção da obra hoje designada por ETAR da Quinta da Bomba, no ano de 1990, com 60% dos custos apoiados pelo Fundo Europeu para o Desenvolvimento Regional, e 40% suportados pelos municípios de Almada e Seixal.

Esta ETAR, implantada numa área de 3 ha, considerada na altura uma das maiores da Península Ibérica, foi adjudicada ao consórcio Teixeira Duarte/TODA, que acabaria por executar os trabalhos num prazo próximo de três anos. Esta grande infra-estrutura intermunicipal e pró-ambiental, após vários testes e experiências, acabaria por iniciar o seu funcionamento efectivo a partir de 2 de Março de 1994. No que refere ao concelho de Almada, a ETAR da Quinta da Bomba passou a fazer o tratamento de água residuais provenientes das zonas urbanas do Feijó, Sobreda, Vale Figueira, Alto do Índio, Vale Rosal, Charneca (parte), Quintinhas e Aroeira. Por seu turno, no que diz respeito ao concelho do Seixal, forma contempladas zonas habitacionais e industriais, como é o caso de Corroios, Miratejo, Quinta do Brasileiro, Quinta do Rouxinol, Quinta de S. Nicolau, Alto do Moinho, Vale de Milhaços, Marisol, Belverde, Santa Marta, Verdizela, Cruz de Pau (parte), Franqueiro, Bonfim, Quinta da Princesa e Foros de Amora (parte). Gerida pelo SMAS de Almada, com um quadro técnico especializado, onde se inclui actualmente um coordenador e responsável (Engenheira Química Sanitarista), dois analistas de laboratório, oito operadores (que trabalham por turnos), um motorista, um electricista, um administrativo e três jardineiros, a ETAR da Quinta da Bomba começou nestes primeiros anos por tratar um efluente correspondente a cerca de 100 mil habitantes, a que correspondem cerca de 13 mil m3 diários. Tratando-se de uma infra-estrutura moderna, totalmente informatizada, grande parte do controlo das operações a realizar é automático e dirigida de uma sala de comando existente no edifício administrativo.

A Etar da Quinta da Bomba foi dimensionada para um horizonte que alcança o ano de 2030 e uma população prevista da ordem dos 300 000 habitantes, Actualmente, ainda está longe do seu máximo de funcionamento, sendo uma obra de grande importância, dimensionada a pensar na entrada do 3º milénio. Em termos de futuro, e considerando a despoluição global do estuário do Tejo, que não pode ser feita apenas por uma, mas por um elevado número de Estações de Tratamento de Água Residuais, em torno do mesmo, lembro que no concelho de Almada já está em funcionamento a ETAR de Valdeão (Bairro do Matadouro) e projectadas as futuras ETAR de Mutela (Cova da Piedade) e Portinho da Costa (Trafaria). Por sua vez, concelho do Seixal funciona a ETAR de Fernão Ferro e está projectada a nova ETAR do Seixal (Paulistas)."

Parte do Texto publicado (in Corroios – Minha Terra co(m a)rroios de Manuel Lima)
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